Sustentabilidade Ambiental

Economia circular: o que é, características e benefícios para a sociedade e o meio ambiente

A economia circular é um sistema comercialmente viável e responsável em termos ambientais. Clique agora e saiba tudo mais sobre o assunto.

Por: Times de Sustentabilidade e Comunicação Corporativa da Raízen Data: 01/12/2021 Tempo de leitura: 21 Minutos

A economia circular repensa os meios habituais de produção e de consumo. “E se os produtos de hoje se transformassem nos recursos de amanhã?” é um bom exemplo da ideia transmitida por esse sistema.

Os modelos econômicos atuais exploram insumos que são finitos. De acordo com a ONU, a população mundial tende a crescer em 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos. Será que a natureza suportará o lixo produzido por todo mundo? É pensando em solucionar problemas como esse que a economia circular existe.

Confira a seguir o que é a economia circular, quais são seus objetivos e vantagens, como levar a circularidade para negócios e outros aspectos desse conceito tão importante.

O que é economia circular e qual é seu objetivo?

A economia circular é um conceito estratégico em que os resíduos são insumos para a produção de novos produtos. Ele propõe uma mudança nas cadeias de produção e busca conciliar o crescimento econômico, a sustentabilidade e o bem-estar da sociedade.

A economia circular envolve uma transformação na extração dos recursos, na forma com que os resíduos são eliminados e nas lógicas de consumo de forma geral.

Trata-se de um modelo que reconhece a importância de ter a economia sempre girando, porque considera o interesse de negócios e de indivíduos, das pequenas a grandes empresas, de atuação local ou global e, ao mesmo tempo, visa uma gestão consciente dos recursos naturais.

Ou seja, pensar a circularidade da economia é mais do que reduzir os impactos da economia linear, é uma transição para construir um sistema resiliente, inteligente e próspero.

É uma alternativa interessante, além de uma oportunidade para se redefinir o futuro.

Por que a economia circular é importante?

Mas qual é a importância da economia circular se atualmente já temos um modelo econômico que funciona?

A degradação ambiental, o risco de esgotamento de recursos naturais, a possibilidade de contaminação dos bens oriundos da natureza, além da esterilidade dos ecossistemas, são apenas algumas das consequências da extração predatória e do descarte indevido.

Além disso, a economia circular é importante para as próprias empresas, visto que, com menos recursos disponíveis, os custos para obtenção de matéria-prima se elevam.

Para completar, há o conceito de ESG, diretamente ligado ao mundo dos investimentos, que incentiva as organizações a agirem de acordo com uma nova ética de mercado.

Leia também: Descomplicando o significado de ESG: entenda esse conceito!

Quando surgiu o conceito de economia circular?

Não é possível atrelar o conceito de economia circular a um único autor ou data.

Mas entende-se que, ao fim da década de 1970, as ideias e práticas alternativas para a economia e para os processos industriais se fortaleceram por meio de acadêmicos, líderes intelectuais e instituições.

Algumas escolas de pensamento importantes para o enraizamento do conceito de economia circular são:

  • Design regenerativo
    Teve início com o professor John T. Lyle, que aplicou o conceito de design regenerativo para além da agricultura, para qual as ideias de regeneração eram aplicadas.

  • Cradle to Cradle – Do berço ao berço
    Considera que todos os materiais usados na indústria e no comércio servem para nutrir os próprios processos, com foco no design para efetividade e para redução de impactos negativos.

  • Ecologia industrial
    Um campo de estudos que visa a criação de processos de ciclo fechado, em que os resíduos servem como insumo, dispensando a noção de subprodutos indesejáveis.

  • Biomimética
    Disciplina que tem a natureza como modelo, como medida e como mentora. Inspira-se nos ciclos vivos do meio ambiente para inovar.

  • Fundação Ellen MacArthur
    Foi estabelecida em 2010 com a missão de acelerar a transição rumo a uma economia circular. Ela trabalha com empresas, governos e academia para construir uma economia que seja regenerativa e restaurativa desde o princípio.


A diferença entre economia linear e economia circular

O sistema de produção convencional não consegue mais dar suporte aos negócios, às pessoas e ao meio ambiente. Nós extraímos recursos naturais para produzir artigos que usamos e que, quando não queremos mais, são descartados. Isso é o que chamamos de economia linear.

A economia circular é a evolução do modelo econômico, adaptado aos novos tempos. Ou seja: um modelo de geração contínua de bens, com design ecoeficiente e de menor impacto, mais duráveis e responsáveis. Uma nova maneira de encarar a origem, a transformação e o destino dos produtos

Assim, na economia circular, os produtos e seus componentes são projetados para desmontagem, reuso, reciclagem, compostagem, com a possibilidade de reaproveitamento e reinserção na economia e na regeneração de sistemas.

Economia linear



Economia circular






Os três princípios da economia circular: como ela se apoia na circularidade de processos, produtos e negócios

Depois de entender as principais diferenças entre a economia linear e a economia circular, vamos destacar como esta última pode estimular as empresas na adoção da circularidade nos seus negócios, ou seja, na adesão dos princípios da economia circular nos seus processos e produtos orientados por três eixos:

  1. Eliminar resíduos e poluição desde o princípio
  2. Manter produtos e materiais em uso, em seu mais alto valor
  3. Regenerar sistemas naturais

Para que isso possa acontecer, é preciso ter diretrizes. Afinal, a economia circular vai muito além das noções de Reduzir, Reciclar e Reutilizar.

São poucos preceitos, mas que trazem vantagens quantitativas e qualitativas para todos os envolvidos na circularidade.

Em resumo: o coletivo de empresas, cidades e demais stakeholders que aplicam o sistema de circularidade que observamos acima, formarão o que a gente entende como sistema economia circular.





Vantagens e desafios da economia circular

A economia circular elimina desperdícios. Nela, os insumos são utilizados com a maior eficiência possível, o que gera menor dependência e exploração dos recursos naturais.

Em termos corporativos, ao extrair menos matéria-prima, e considerando que ela será reaproveitada, a economia circular apresenta uma forma de redução de custos para as empresas.

Isso sem falar no engajamento com os colaboradores, porque estimula o senso de pertencer a uma empresa engajada na redução de seus impactos negativos socioambientais e na evolução de comportamento dos seus stakeholders.

Contudo, talvez o maior desafio da economia circular seja sua implementação em grande escala e de forma perene.

Para que ela aconteça efetivamente, é preciso que todo um sistema seja reformulado e muitas empresas e consumidores firmem o compromisso coletivo frente a novos modelos de negócio.

Embora seja uma grande solução, algumas limitações de infraestrutura e de pensamento (os players precisam entender que devem atuar juntos) são barreiras que a economia circular vem enfrentando.

Apesar disto, a sociedade e demais stakeholders, têm demandado que grandes empresas estejam comprometidas com a redução de extração de recursos naturais, o cumprimento de aspectos legais, a transição para uma economia de baixo carbono e que contribuam com o desenvolvimento sustentável.

O que é circularidade no negócio e qual é sua relação com a economia circular?

A circularidade no negócio é quando empresas adotam os princípios da economia circular nos seus processos, produtos e negócios, viabilizando, entre outros:

  • Eliminação de resíduos;
  • Manutenção da vida útil de produtos.

Entretanto, para que a economia circular cresça mundialmente, é necessário que as circularidades das empresas aumentem e ganhem força.

A economia circular é um sistema que acolhe diferentes circularidades de negócios, portanto, ambos os processos são interdependentes.

Como levar a circularidade para seus processos e negócios na prática?

Como você pode aplicar a economia circular em seu negócio, independentemente de seu porte? Alguns questionamentos devem ser considerados:

Recursos naturais: como depender menos (ou regenerar) as fontes naturais?

  • Matéria-prima: como escolher melhores MPs?
  • Manufatura: como conceber e produzir com maior ecoeficiência?
  • Distribuição: como distribuir com menos impacto?
  • Uso e consumo: como prolongar o uso?
  • Reciclagem (reuso, reparo, redistribuição e remanufatura): como reinserir o produto no ciclo?
  • Descarte: como reduzir ao máximo a geração de descarte?

Economia circular no Brasil: conheça exemplos de empresas que já adotam essa ideia

Segundo uma pesquisa feita em 2019 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 76,5% das empresas no setor da indústria estão engajadas no sistema da economia circular.

Entre as principais práticas estão a otimização de processos, o uso de insumos circulares e a recuperação de recursos.

Que tal se inspirar com algumas dessas empresas?

Natura

O grupo Natura &Co se comprometeu em garantir a circularidade de suas embalagens até 2030.

Ele também pretende usar 95% de ingredientes naturais ou renováveis e 95% de fórmulas biodegradáveis em todas as quatro marcas do grupo (Natura, Avon, The Body Shop e Aesop).

Além disso, o grupo busca desenvolver mais soluções para um comércio justo, para a gestão de resíduos em plástico e um sistema de extração regenerativa.

Patagônia

Uma marca que dissemina uma filosofia ambiental para estimular o consumo consciente. Pratica a reutilização contínua de seus insumos e materiais, mantendo-os dentro da cadeia produtiva e anulando o descarte e desperdício.

Interface

Com a missão de reverter o aquecimento global, a empresa desenvolveu o Climate Take Back Plan, uma estratégia guiada pela descarbonização total.

“Viver o zero todos os dias e reduzir os impactos do nosso negócio e das nossas operações no planeta” é o que a empresa acredita e faz em nome da economia circular.

Raízen

Explorar todas as possibilidades da cana-de- açúcar é uma das nossas estratégias para seguirmos investindo em produtos renováveis.

Veja como realizarmos a circularidade dos nossos processos, produtos e negócios no vídeo abaixo:



Deu para perceber que por meio da circularização, nós aproveitamos todos os resíduos e insumos utilizados em nossos processos para a geração de novas formas de energia:

  • O bagaço da cana é usado para geração de bioeletricidade, o que garante a autossuficiência energética nas usinas.
  • O bagaço também é usado para produzir o etanol de 2ª geração, o E2G, um exemplo inovador de bioeconomia e sustentabilidade aplicada.
  • Pellets são produzidos a partir de biomassa, com menor pegada de carbono que seus substitutos convencionais (carvão), além de ser 100% renovável.
  • Cinza, torta de filtro e vinhaça são usados como fertilizantes naturais, isto é, reduzem o uso de fertilizantes sintéticos e voltam para a terra, fechando um círculo nutritivo.
  • A torta de filtro e a vinhaça são usadas para produzir o biogás, mais uma energia renovável.

Assim, contribuímos diretamente com o meio ambiente, gerando menos resíduos industriais e criando produtos sustentáveis que ajudam a limpar a matriz energética brasileira.


Clique aqui para conferir como contribuímos com a circularidade no setor sucroenergético e aqui para ver nosso relatório anual da safra 2020/2021 aqui.

Conheça a Raízen

Para garantir a energia que move o mundo, temos um ecossistema integrado e
único de atuação: desde a produção e venda de energia renovável e açúcar a partir
da cana-de-açúcar, levando também essa energia para diversos cantos no mundo.

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